O que os homens não percebem sobre a rotina das mulheres

Redação • 22 de junho de 2026

Por Aline Teixeira

Muitos homens saem de casa sem pensar duas vezes no caminho que vão fazer, no horário em que vão voltar ou em quem estará ao seu redor durante o trajeto. Para muitas mulheres, porém, a realidade é diferente.

Antes mesmo de sair, existe um cálculo silencioso. Qual caminho é mais seguro? O local é bem iluminado? É melhor pedir um carro por aplicativo ou esperar um pouco mais? Vale a pena caminhar sozinha? Alguém pode acompanhar o trajeto em tempo real?

São decisões que acontecem diariamente e que, muitas vezes, passam despercebidas por quem nunca precisou tomá-las.

A verdade é que a experiência de ocupar os espaços públicos ainda é diferente para homens e mulheres. Enquanto muitos circulam com liberdade, milhões de mulheres convivem com uma sensação constante de alerta. Não porque desejam viver assim, mas porque aprenderam, desde cedo, que a prevenção faz parte da sobrevivência.

Compartilhar localização, enviar a placa do carro para familiares, evitar determinados horários, mudar de calçada ou fingir uma ligação são comportamentos tão comuns que acabaram sendo naturalizados. O problema é que nada disso deveria ser considerado normal.

Essa vigilância permanente tem consequências. Afeta a saúde mental, aumenta a ansiedade e limita a sensação de liberdade. Afinal, quando uma pessoa precisa avaliar riscos o tempo inteiro, ela deixa de ocupar os espaços com tranquilidade.

Por isso, quando falamos sobre segurança da mulher, não estamos falando apenas sobre violência. Estamos falando sobre qualidade de vida, saúde emocional e o direito de viver sem medo.

Talvez a pergunta que a sociedade precise fazer não seja por que as mulheres criam tantas estratégias de proteção. A pergunta correta é por que elas ainda precisam criá-las.

Eu sou Aline Teixeira e acredito que liberdade não é apenas poder ir e vir. É poder fazer isso sem que o medo seja um companheiro constante no caminho. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.

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14 de julho de 2026
A reportagem exibida pelo Fantástico neste fim de semana reacendeu um debate urgente sobre a violência contra a mulher. As denúncias contra o influenciador Cartolouco, feitas por ex-companheiras e atualmente investigadas pela Justiça, ganharam grande repercussão não apenas pela gravidade dos relatos, mas por evidenciarem um aspecto comum em muitos casos de violência doméstica: o ciclo da violência. O influenciador nega as acusações e afirma que apresentará sua defesa. Uma das perguntas que mais surgem quando casos como esse vêm à tona é: "Por que ela voltou?". A resposta é muito mais complexa do que parece. Relações abusivas dificilmente começam com agressões físicas. Elas costumam ser construídas aos poucos, entre demonstrações de carinho, pedidos de desculpas, promessas de mudança e episódios de violência. Esse movimento é conhecido por especialistas como ciclo da violência. Depois da agressão vem o arrependimento, seguido pela chamada "fase da lua de mel", quando o agressor promete que tudo será diferente. É justamente nesse momento que muitas mulheres acreditam que o relacionamento pode ser reconstruído. Não é ingenuidade. É uma combinação de manipulação emocional, esperança, medo, dependência financeira, baixa autoestima e isolamento. Julgar quem permanece em uma relação abusiva é ignorar toda a complexidade que existe por trás dessa decisão. O caso também trouxe à tona uma discussão importante sobre os desafios da rede de proteção. Uma das ex-companheiras relatou que deixou de contar com medida protetiva após o arquivamento do procedimento relacionado ao seu caso. Independentemente das razões jurídicas de cada processo, essa situação levanta uma reflexão necessária: muitas mulheres ainda se sentem desprotegidas quando o sistema deixa de oferecer mecanismos de proteção enquanto o medo permanece presente. A Lei Maria da Penha representa um dos maiores avanços na defesa das mulheres no Brasil, mas sua efetividade depende de uma aplicação rápida, integrada e capaz de acompanhar a realidade das vítimas, especialmente quando há risco de reiteração da violência. Outro ponto importante revelado pela reportagem foi a atitude das ex-companheiras de compartilharem suas experiências. Quando as mulheres percebem que viveram situações semelhantes, elas deixam de acreditar que estavam sozinhas ou que "era coisa da própria cabeça". Esse movimento fortalece vítimas, rompe o isolamento e incentiva outras mulheres a reconhecerem sinais de violência e buscarem ajuda. Mais do que expor um caso, elas mostraram como a união entre mulheres pode encorajar outras vítimas a romperem o silêncio.  Eu sou Aline Teixeira e acredito que enfrentar a violência contra a mulher começa quando deixamos de perguntar por que ela voltou e passamos a perguntar por que tantas mulheres ainda encontram barreiras para sair de uma relação abusiva, inclusive na justiça. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.