O transporte público como fator de desigualdade

15 de dezembro de 2025

O colapso no transporte público de São Paulo — como o que vimos na Linha 11-Coral — não é apenas um problema técnico. É um problema social, econômico e de gênero.


Sempre que um trem para, quando uma linha sofre panes, atrasos ou superlotação, o impacto recai de forma muito maior sobre as mulheres.


Isso acontece porque elas dependem mais do transporte público, têm jornadas mais fragmentadas e lidam com responsabilidades que o sistema insiste em tratar como “assuntos privados”: levar e buscar filhos na escola, cuidar de idosos, trabalhar longe de casa e realizar tarefas que exigem múltiplos deslocamentos diários.


Quando o trem quebra, não é apenas o horário de trabalho que se perde.

É a vaga da creche que chega perto de ser cancelada.

É a advertência no emprego, mesmo quando a culpa não é da trabalhadora.

É a criança esperando mais tempo do que deveria.

É a mulher voltando mais tarde, agora exposta a riscos maiores.

Falhas de mobilidade urbana não afetam todo mundo da mesma maneira.

Elas ampliam desigualdades — especialmente para quem já enfrenta dificuldades estruturais.


Em vagões lotados, as mulheres são alvo fácil de assédio.

Em estações sem segurança, correm risco de violência.

Em trajetos noturnos, sentem medo legítimo.


Falar de mobilidade, portanto, é falar de segurança pública, saúde mental, acesso ao trabalho e autonomia feminina.


Um transporte eficiente reduz estresse, aumenta produtividade, diminui evasão escolar e protege vidas.

Mas tudo isso só funciona quando o poder público enxerga a mobilidade como política essencial e não como gasto.


Enquanto essas medidas não são tomadas, continuamos repetindo o mesmo ciclo: trabalhador atrasado, mãe sobrecarregada, usuárias expostas a risco e uma sensação generalizada de abandono.


13 de janeiro de 2026
Há um tipo de trabalho que move o país, mas que raramente é reconhecido. Ele não aparece nos relatórios econômicos, não tem carteira assinada e, na maioria das vezes, é realizado por mulheres. É o trabalho invisível, aquele que acontece dentro de casa, no cuidado com os filhos, com os idosos, com o lar, com tudo aquilo que mantém a vida funcionando. Enquanto o mercado mede produtividade e lucro, milhões de mulheres acordam cedo, trabalham fora e, quando voltam, continuam trabalhando. Fazem comida, limpam, educam, acolhem. E fazem tudo isso sem pausa, sem reconhecimento e, principalmente, sem remuneração. O trabalho doméstico e de cuidado é o alicerce da economia, mas o mundo ainda insiste em tratá-lo como “ajuda”. É como se fosse um dever natural das mulheres e não uma sobrecarga imposta por estruturas sociais que continuam desiguais. Segundo dados do IBGE, as mulheres brasileiras dedicam, em média, o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas. E, ainda assim, recebem salários menores no mercado formal. Isso significa que, além de fazer mais, ganham menos. E isso não é coincidência, é sistema. Mas o que está em jogo aqui não é apenas economia. Também é saúde física e emocional. A exaustão da dupla jornada, o sentimento de culpa constante e a falta de tempo para si são gatilhos para ansiedade, depressão e burnout . Mulheres adoecem tentando dar conta de tudo, enquanto o Estado e a sociedade seguem naturalizando essa desigualdade. O cuidado deveria ser uma responsabilidade compartilhada, e não uma herança feminina. É urgente que políticas públicas tratem esse tema com a seriedade que ele merece: creches acessíveis, horários flexíveis de trabalho, licença parental compartilhada e programas de apoio a cuidadoras.  Sou Aline Teixeira, e acredito que reconhecer o trabalho invisível é o primeiro passo para uma sociedade mais justa. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
12 de janeiro de 2026
Durante muito tempo, falar sobre saúde mental era visto como fraqueza. “Isso é frescura”, “é falta do que fazer”, “é coisa da cabeça”. Mas hoje já sabemos que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo. O que ainda falta é entender que saúde mental não é um privilégio individual, é uma questão coletiva e política. Vivemos um tempo de exaustão. O país enfrenta crises econômicas, longas jornadas de trabalho, insegurança e falta de perspectiva. Tudo isso adoece. A depressão e a ansiedade já são consideradas os maiores males do século, mas o acesso a tratamento ainda é limitado, especialmente nas periferias e nos pequenos municípios. Em muitas cidades, o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) é o único espaço público de acolhimento psicológico. Só que, na maioria das vezes, há falta de profissionais, filas de espera e estruturas precárias. A saúde mental precisa sair do discurso e entrar na agenda pública. É preciso ampliar o acesso gratuito a psicólogos, psiquiatras e grupos terapêuticos. É preciso levar atendimento para escolas, comunidades e locais de trabalho. É preciso cuidar dos cuidadores, dos professores, dos servidores… De todos que estão no limite há tanto tempo. Cuidar da mente é cuidar da vida. É reduzir o número de suicídios, de afastamentos por burnout , de violências geradas pela falta de escuta e de acolhimento. E isso só acontece quando o Estado reconhece que o sofrimento humano não é invisível nem supérfluo. A saúde mental não pode continuar sendo um tema restrito às campanhas de setembro. Ela precisa estar presente em cada política pública, em cada orçamento, em cada conversa sobre o futuro.  Sou Aline Teixeira, e acredito que o equilíbrio emocional de um país começa pelo cuidado que ele oferece ao seu povo. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.